ESTUDO 8 – QUALIDADES QUE PRECISAMOS DESENVOLVER (Ef 4:1-6)

 Neste trecho da Epístola aos Efésios o apóstolo mais uma vez demonstrou sua autoridade ao recomendar com muita ênfase que os seus destinatários buscassem desenvolver características muito importantes para nossas vidas em Cristo. Observe como o apóstolo se refere a ele: prisioneiro no Senhor (v. 1).  É bem provável que ele tenha escrito esta carta quando estava preso em Roma, na mesma época em que escreveu outras Epístolas, como Filemom e Colossenses (cerca de 62 DC).

É bom lembrar que os cristãos da Igreja Primitiva (como é chamada a Igreja dos apóstolos) enfrentaram muitos dissabores e perseguições por conta da fidelidade a Cristo.  O próprio Paulo terminou seus dias sendo martirizado. Um texto que resume bem as dificuldades que os missionários da Igreja Primitiva enfrentavam por amor a Cristo está em II Co 11:23-28.  Será que sua fé suportaria um pouquinho destas provações que o apóstolo sofreu?  Na Parábola do Semeador o Senhor Jesus avisou que há pessoas que se assemelham à porção da semente que caiu em solo pedregoso – são aqueles que abandonam a fé tão logo chegam as primeiras perseguições (vide Mt 13:20-22).

Pois hoje é dia de pedirmos ao Senhor que nos ajude a desenvolver qualidades que nos permitam cumprir nossa Missão com fidelidade, sem desistir.  O apelo que Paulo fez no verso 1 pressupõe fidelidade e perseverança: rogo-lhes que vivam de maneira digna da vocação que receberam.

Eis uma lista de virtudes que precisamos desenvolver como cristãos, conforme o verso 2: 

a)      Humildade: É o contrário de soberba, orgulho.  Consiste na visão correta de nossas limitações, de nossas virtudes e do valor das outras pessoas.  Ser humilde não significa depreciar-se, mas considerar que as outras pessoas também têm valor e virtudes. A Bíblia ensina que  fazer planos sem considerar a vontade de Deus é prova de soberba (Tg 4:13-17). Também nos ensina que Deus não abençoa os orgulhosos, mas concede graça aos verdadeiramente humildes (Tg 4:6).

b)      Mansidão:  A Bíblia na versão NVI traduz como “dóceis” ao invés de mansos. A palavra mansidão na língua grega transmite a idéia do animal domado, contido. A mansidão consiste na qualidade de conseguir conter seus impulsos, conservando-se controlado, contido. É o contrário do impulsivo, do violento, do iracundo.

c)      Paciência:  Um sinônimo para paciência é longanimidade – a capacidade de esperar, de não precipitar-se. A precipitação, muitas vezes, nos leva a perder bênçãos. Para alcançarmos êxito na vocação em Cristo precisamos desenvolver a capacidade de esperar no Senhor. Bem que Ec 3:1-8 nos ensina que há um tempo certo para todas as coisas. Às vezes queremos apressar as coisas de Deus, o que somente resulta em prejuízos.

d)      Interesse pelo próximo: Eis a recomendação do apóstolo – suportando uns aos outros com amor.  A idéia aqui é de colocar-se como auxílio, apoio, para o irmão caminhar – sabe quando a pessoa se machuca e não consegue caminhar sozinha e vem alguém que lhe oferece auxílio? O amor nos leva a nos colocarmos como suporte.  Haverá pessoas que precisarão ser suportadas e você precisará desenvolver esta qualidade.

Há um cuidado que o apóstolo destaca neste texto que precisamos enfocar. Todos nós devemos zelar pela unidade espiritual da Igreja.  Todas as qualidades acima visam trazer benefícios para toda a família espiritual que é a Igreja da qual participamos. Esta unidade é crucial e por isso o apóstolo dá ênfase a este ensino nos versos 3 a 6. Eis os argumentos para sermos uma Igreja dirigida pelo Espírito e, portanto, pacífica:

i. Somos um corpo (v. 4) e quando partes do corpo ficam em desarmonia é sinal de enfermidade e sofrimento para todo o corpo;

ii. Há somente um Espírito Santo (v. 4) e logicamente o Espírito age para unir Seu povo;

iii. Temos a mesma esperança (v. 4), haja visto que fomos chamados pelo mesmo Senhor e para a mesma Obra;

iv. Temos o mesmo Senhor, a mesma fé, passamos pelo mesmo batismo (v. 5);

v. Somos filhos do mesmo Pai: Ele é superior a todos nós, tem poder para usar nossas vidas e habita em nós (v. 6).

Termine este estudo orando com seus discípulos pedindo ao Espírito Santo que os ajude a desenvolver tais qualidades e a não sucumbirem diante de provações e dificuldades.  Ore com eles, por eles e pela Igreja, pedindo que o Espírito nos ajude a vivermos a unidade promovida por Ele. Use sempre a estratégia de orar com seus discípulos levando-os a repetirem a oração com você, reafirmando a fé em Jesus Cristo.

Paulo Petrizi