TÍTULO:     
TUDO BEM?

Suponho que hoje mesmo você já ouviu esta pergunta e que, provavelmente, fez a mesma indagação a outros.  É automático; ao encontrarmos alguém, onde quer que seja, perguntamos: “tudo bem?”.  Via de regra, a resposta é “tudo!”.  Geralmente, quem pergunta não está realmente interessado em saber, muito menos disposto ou disponível a ajudar o outro.  E quem responde, via de regra, não está bem, mas diz que está porque sabe que a pergunta do outro não é carregada de interesse autêntico por ajudar.

Será que você já viveu a experiência de abrir seu coração ferido a um legalista? Nada pode ser pior do que cair nas mãos desta estirpe de pessoas que muito mais se assemelham aos fariseus do Novo Testamento do que ao Senhor.  São terríveis porque não têm compaixão nem autocrítica – denunciam e condenam com muita facilidade aqueles que têm “ciscos” nos olhos, mas ignoram as enormes “traves” que conservam a frente dos seus. Buscar ajuda deste tipo de “conselheiro”, com seus jargões, “doutrinas” e visão simplista dos problemas alheios pode redundar em traumas e decepções profundas.

Um pouco de sensibilidade cristã possibilita qualquer filho de Deus a perceber quando alguém não está bem.  Vale definir o que seja estar bem: significa estar gozando de saúde na sua abrangência – física, mental e espiritualmente. O apóstolo João escreveu a Gaio, a quem ele declarou amar de verdade, explicitando seu desejo de que ele estivesse bem: “Amado, oro para que você tenha boa saúde e tudo lhe corra bem, assim como vai bem a sua alma” (III Jo 2).  Tal palavra do apóstolo nos ajuda a reconhecer uma obviedade:  é preciso amar.  João se interessava mesmo pelo bem estar de Gaio porque o amava – no verso 1 ele escreveu que o “amava na verdade” e no verso 2 o chamou de “amado”. 

Quando inexiste o amor de Cristo, a pergunta “tudo bem?” pode significar tantas outras coisas, menos a intenção de ajudar. O amor do Senhor em nós faz com que “óculos de compaixão” sejam colocados em nossos olhos e passamos a perceber a dor do outro.  Mais do que isto, passamos a partilhar da dor alheia e nos interessamos por atenua-la – ainda que por meio da intercessão.

Você já notou que todas as listas de dons espirituais no Novo Testamento enfatizam a necessidade de amar verdadeiramente?  Amigo, sem amor sobrenatural os dons sobrenaturais de nada aproveitam!  Romanos 12:6-8 tem uma relação de dons e na seqüência completa: “o amor deve ser sincero” (v. 8).  I Coríntios 12 trata dos diversos dons e é seguido pelo capítulo 13 onde aprendemos que sem amor nenhum proveito haverá para os demais dons. Efésios 4:11 relaciona outros dons e no verso 15, ordena: “antes, sigamos a verdade em amor”.  I Pe 4:10-11 recomenda dons, porém, no verso 8 adverte: “sobretudo, amem-se sinceramente uns aos outros”.

Eu sei uma maneira de tudo melhorar em sua vida e em seu redor. Peça ao Senhor uma unção de amor. Não se contente com o amor fingido dos legalistas. Tudo bem?

 

Pr. Paulo Petrizi