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INTRODUÇÃO
Os sonhos sempre exerceram fascínio na humanidade e a oniromancia (do
grego oneiros e manteia) é
prática encontrada nas sociedades desde a antiguidade, inclusive entre os egípcios
e, particularmente, entre os judeus do Antigo Testamento.
Basta fazer a leitura no livro de Gênesis da biografia do patriarca José
para ver a importância da decifração dos sonhos no contexto bíblico.
Em muitas culturas os sonhos eram reputados como uma maneira de
comunicar-se com o sobrenatural, uma forma de se prever o futuro das pessoas. Há
informações de um papiro egípcio datado de 2000 AC que discute sonhos e suas
interpretações. Era crença na Grécia Antiga de que o sonhador estava em
contato com os deuses, inclusive no poema Ilíada, de Homero (c. 800 AC),
por exemplo, os sonhos foram considerados mensagens dos deuses. Um exemplo da importância que os sonhos sempre tiveram na história da humanidade é o testemunho de Flávio Josephus, conhecido pelos estudantes da história tanto do judaísmo como da Igreja Cristã do primeiro século, por suas obras como historiador. Josephus esteve à frente de uma guarnição judaica e bateu-se contra o exército do general romano Vespasiano, que infligiram ao judeu uma irremediável derrota. Conta-se que Josephus esteve refugiado com um punhado de sobrevivents numa caverna, da qual seriam retirados e mortos ao amanhecer. Ele, então, sugeriu aos seus homens que se matassem, um oferecendo o peito ao punhal do vizinho. O que sobrasse teria de suicidar-se. O próprio autor da idéia foi quem sobrou, mas não cumpriu o combinado. Ao invés disso, dormiu e teve um sonho: que Vespasiano, o comandante dos inimigos romanos, era Imperador de Roma. Ao relatar este sonho ao pretencioso general, a vida do judeu teria sido salva e alvo de muitos benefícios.
Apesar desta importância inicialmente dada à interpretação dos sonhos
na técnica psicanalítica, Leon L. Altman, renomado psicanalista de New York,
expõe uma mudança no status do sonho na Psicanálise das últimas décadas,
quando para muitos a interpretação de sonhos praticamente caiu em desuso.
Contra estes para quem o sonho seja apenas um “instrumento clínico
subsidiário”, Altman rebate: a
Psicanálise sem abranger o sonho é inexata e incompleta.
Quanto à razão para esta mudança, o mesmo autor supõe que seja uma
“ênfase sobre a psicologia do ego”, em contrapartida ao interesse no id,
que antes era a tônica. Ele
explica que as novas formulações técnicas de adptação, identidade e
energia psíquica arrebataram o destaque que era conferido ao id.
Assim, o desvio do foco de
interesse resultou, então, no menor interesse pelos sonhos.
Seu livro se propõe a combater esta tendência.
O Psicanalista no exercício de seu trabalho precisa encarar o sonho como
o melhor material que a mente fornece. Para tanto, carece de possuir uma visão
esclarecida do funcionamento da mente em produzir tais sonhos que, sempre, serão
revestidos de simbolismo.
Neste trabalho prezamos por pesquisar junto à literatura especializada
as diretrizes e os conceitos que, ao nosso ver, são imprescindíveis para dar
ao psicanalista subsídios para o seu trabalho de interpretar sonhos. Partimos do pressuposto de que a interpretação dos sonhos
é fundamental no tratamento analítico. Numa
primeira etapa explicamos o funcionamento do sono e a teoria apresentada por
Freud. Depois, explicamos os
mecanismos de elaboração do sonho e terminamos com as diretrizes para a
interpretação dos mesmos.
Julgamos que esta pesquisa poderá contribuir
para o preparo de estudantes como nós que iniciam seu contato com sonhos
narrados por seus pacientes. Acreditamos
que ao menos contribuirá para aguçar o interesse por aprofundar-se no estudo
deste tema que, sem dúvida, é empolgante.
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