1.3  Refutações à Teoria Freudiana da Interpretação dos Sonhos

            Mesmo fazendo críticas às teorias de Freud, a quem considera muito influenciado pelo pensamento burguês de sua época, Erich Fromm, ao tratar especificamente da teoria freudiana da interpretação dos sonhos, reconhece que suas descobertas neste campo, por si só, seriam suficientes para elevá-lo à condição de uma das figuras mais notáveis na ciência do homem.  Reconhece que Freud foi o primeiro a conferir à interpretação dos sonhos uma base sistemática e científica.

            Uma  objeção que geralmente é feita à teoria freudiana do sonho como realização de desejo fundamenta-se nos pesadelos. Para alguns críticos há pesadelos dificilmente explicáveis como realização de um desejo, uma vez que chegam a ser tão penosos que até interrompem o sono.  No terceiro capítulo de nossa pesquisa incluiremos um ítem específico sobre este tipo de sonhos.  De antemão, salientamos que Freud anulou esse argumento de modo engenhoso.  Demonstrou que existem desejos sádicos e masoquistas que produzem grande ansiedade, mas nem por isso deixam de ser desejos que o sonho satisfaz.

            A concepção de que o sonho é a principal via para se acessar o inconsciente é refutada por vasta corrente de psicanalistas.  Por exemplo, Thomas S. Szasz, ainda que reconheça o valor da interpretação dos sonhos em terapia, declara que não crê que esta seja o caminho principal para o inconsciente.  Assevera também que o analista que acredita no contrário e que encoraja seu paciente a relatar sonhos, de certo modo, distorce o procedimento analítico.

            Uma crítica é feita a Freud por Erich Fromm, no que tange à capacidade de Freud em compreender os símbolos.  Para este, Freud era um “racionalista carente de inclinações artísticas ou poéticas e, por conseguinte, não tinha quase sentibilidade alguma para a linguagem poética”. Na opinião de Fromm, esta carência em Freud o levou a aceitar um conceito limitado dos símbolos, quase sempre relacionando-o ao sexual.

            Para referendar suas críticas à capacidade de Freud de entender os símbolos, Erich Fromm reanalisa alguns dos sonhos narrados e auto-analisados por Freud.  Um destes, publicado por Freud em 1900, é o seguinte:

            Eu escrevia uma monografia sobre certa planta.  O livro estava diante de mim e, 
           
no momento, eu folheava uma prancha colorida e dobrada.  Preso a cada exemplar 
           
havia um espécime dessecado da planta, como   se  tivesse  sido  retirado  de  um  
           
herbário.  
            Comentando a longa análise que Freud publicou sobre este seu sonho, Erich Fromm critica:   
           
Se perguntarmos que insight obtemos de Freud através de sua interpretação do  
           
sonho, receio termos de admitir que quase nada ficamos sabendo a respeito do 
           
modo como Freud interpreta o sonho.  E, no entanto, o significado do sonho é 
           
tão óbvio e,   na   verdade,  extremamente   importante  como  chave   para  se 
           
entender a personalidade de Freud.

              Após este comentário supra, o autor se propõe a fazer a sua análise do sonho de Freud, dando um sentido para cada símbolo que ele identifica no sonho acima.  Apesar de pensar que Freud não tivesse o espírito poético necessário para se compreender o sentido de um símbolo, Fromm utiliza o próprio método freudiano para interpretar o sonho do pai da Psicanálise.

   1.1  Entendendo o Processo do Sono
   1.2  O Sonho na Teoria Psicanalítica de Freud
   1.3  Refutações à Teoria Freudiana da Interpretação dos Sonhos