2.2  O Conteúdo Manifesto do Sonho

            Uma definição muito simples de sonho manifesto é: as imagens do sonho tal como são recordadas ao despertar.  Altman aponta como o aspecto mais atraente do sonho manifesto a sua indiferença pela racionalidade, pela lógica e pela coerência.  Ele explica sua opinião afirmando que no sonho manifesto a agressão e a violência física se tornam indistintas da paixão erótica, o prazer se funde com a dor, a atração com a repugnância, o horror com o fascínio e a condenação com a aprovação.    

            Quanto à relação entre o conteúdo latente do sonho e o sonho manifesto, Brenner explica que, dependendo do sonho, esta pode ser muito simples ou muito complexa. Os sonhos da primeira infância são os que nos fornecem a relação mais simples.  Primeiro, porque em tais sonhos não precisamos distinguir entre preocupações infantis e habituais, pois são exatamente a mesma coisa.  Segundo, porque não se pode ainda estabelecer uma distinção clara entre a parte reprimida e o resto do id, uma vez que o ego da criança muito nova ainda não se desenvolveu a ponto de haver criado defesas permanentes contra qualquer impulso do id.

            Um exemplo deste tipo de sonho é o de uma criança de dois anos que sonha na noite em que a mãe chegou da maternidade com o irmãozinho recém nascido.  Em seu sonho o bebê vai embora.  É óbvio que o conteúdo latente, um impulso infantil para com o recém nascido, é um desejo de livrar-se dele.   O conteúdo manifesto trata-se de uma fantasia que simboliza o desejo ou impulso latente já satisfeito.  A fantasia consiste essencialmente na satisfação do desejo ou impulso latente.

   2.1  O Conteúdo Latente do Sonho
   2.2  O Conteúdo Manifesto do Sonho
   2.3  A Elaboração do Sonho
            2.3.1  Dramatização ou concretização
            2.3.2  Condensação
            2.3.3  Desdobramento
            2.3.4  Deslocamento
            2.3.5  Representação pelo oposto
            2.3.6  Representação pelo nímio
            2.3.7  Representação simbólica
   2.4  A Elaboração Secundária