3.1  Simbologia dos Sonhos

              Em sua obra Interpretação dos Sonhos, Freud descreveu o extenso emprego de simbolismo nos sonhos, sobretudo para a representação do material sexual.  Para ele tais símbolos podem ser comparados a sinais da taquigrafia, com uma significação fixa.  Ou seja, Freud percebeu que tal simbolismo não pertence exclusivamente ao sonho (ao inconsciente de quem sonha),  mas que é referendado pelo popular, pelo folclore, pelos mitos, provérbios, chistes correntes na comunidade de quem sonha.  Assim, propôs ele ser possível compor uma “chave dos sonhos”, claro que alertando que, se por um lado há em muitos casos a comunidade entre o símbolo e o elemento por ele representado, noutros também acontece de se manter oculta esta relação.  Disto concluímos que a “chave” não nos permitirá abrir exatamente todas as portas.

            Foi possível demonstrar experimentalmente o uso dos símbolos.  Em 1912, um pesquisador de nome Scroetter fez a experiência de hipnotizar uma mulher e lhe ordenar, dentre outras coisas,  que sonhasse ter tido um intercâmbio genital.  Observou-se que tudo o que não aparecia como imoral a mulher sonhava como tal.  Mas as passagens que eram repelidas pela sua moralidade apareciam no conteúdo manifesto de forma simbólica, representadas por elementos que se encontram nos sonhos de todos:  montar a cavalo, dançar, subir ou descer uma escada, ser atropelado por um veículo, cair de uma certa altura.  Noutro experimento, foi-lhe ordenado que sonhasse ter tido uma relação homossexual, e então a mulher sonhou que punha objetos numa mala rotulada “somente para senhoras”.

            No ano de 1943, dois pesquisadores, Faber e Fischer, realizaram experimentos com uma mulher a quem hipnotizaram e ordenaram que sonhasse que uma amiga dela, solteira, estava grávida.  A mulher sonhou então que sua amiga estava numa ilha solitária, rodeada de enormes ondas e suportando uma chuva forte e incessante.  Estar numa ilha solitária representava o isolamento social e a chuva, as críticas que uma mulher solteira com um filho teria que suportar.  Tallaferro informa que também se verificou nestes experimentos que os sujeitos em estado de hipnose são capazes de interpretar os símbolos que se apresentam a eles, o que não conseguem fazer quando se encontram fora da hipnose.

            Por que dos simbolismos nos sonhos?  Para a representação disfarçada de suas idéias latentes.  Os símbolos são a linguagem dos sonhos.  Uma indagação muito interessante é feita por Gastão Pereira da Silva quando escreve sobre isto:  por que os símbolos nos sonhos referem-se quase que unicamente aos objetos sexuais?  Sua resposta passa pelo conceito de evolução do homem primitivo, que aprendeu a falar para saciar seus desejos de nutrir-se e procriar e, conclui: “o símbolo é, então, uma das mil e uma maneiras pelas quais a cada instante o homem civilizado procura encobrir a sua grande preocupação (para não dizer obsessão) sexual.”.

            O que leva ao aplauso uma platéia vendo certas danças muitíssimo artísticas é
           
que plasticamente elas não são mais do que movimentos estilizados de conquistas, 
            de amplexos, de preparativos para o coito.  Dessas conclusões... muitos  
            recuam.  E é interessante... mostrar simultaneamente duas coisas: por um lado  
           a obsessão sexual;  por outro, o modo disfarçado pelo qual nós a exprimimos,  
            revestiando-a de inúmeros símbolos...  É só debaixo desta forma simbólica que 
           
a linguagem nos permite aludir à mais obscena das operações.  A polidez,  a  
            urbanidade, a moral corrente -  tudo isso se constitui como um censor rigoroso  
            para impedir a expressão real daquilo em que nós, de fato, estamos pensando. 
           
E para o iludir nós só temos um recurso:  usar de símbolos.

              A maioria dos símbolos oníricos, portanto, encobre idéias sexuais.  Mas será que tudo no sonho é simbólico?  Não.  Há também representações diretas, claras e coerentes nos sonhos, só que em menor proporção.  Cabe à interpretação determinar o que é símbolo do que não o é.  Gastão Pereira da Silva propõe a maneira como o analista haverá de comportar-se para distinguir os símbolos nos sonhos:

            A melhor maneira de distinguir um símbolo da idéia em si mesma, é verificar 
           
se a representação se relaciona, ou não, com o objeto sexual.  E isto só  nos 
           
pode fornecer a alma do analisado.  Se eu, por exemplo, estou com um dente 
           
me incomodando e sonho que o arranquei, ou que o dente caiu por si mesmo, 
           
não tenho a menor dúvida de que o sonho  nada  mais  fez senão  satisfazer  o 
           
desejo de me ver livre do dente e não porque o sonho revele uma advertência 
            de ordem sexual...           

            Tendo já apresentado os motivos pelos quais sonhamos e a linguagem típica dos sonhos,  julgamos por bem enfocar um tipo de sonho que para alguns desmerece o que já vimos expondo.

   3.1 Simbologia dos Sonhos
   3.2 Pesadelos
   3.3 Princípios Para a Interpretação