3.3  Princípios para a Interpretação dos Sonhos        

             Interpretar é próprio à Psicanálise.  Basicamente, interpretar é percorrer o caminho da compreensão por parte do analista que começa no conteúdo manifesto e chega às idéias latentes.  É percorrer o caminho inverso ao da elaboração, como afirma Etchegoyen: “a elaboração vai desde as idéias latentes ao conteúdo manifesto;  a interpretação anda para trás nesse mesmo caminho.”. Assim, interpretar um sonho é descobrir seu sentido.

            No trato do significado do termo “interpretação”  em Psicanálise, Laplanche e Pontalis expoem que a palavra interpretação não traduz exatamente o significado do termo Deutung, do alemão, utilizado por Freud.  Para eles, Deutung se aproxima mais de explicação e esclarecimento.

            Sobre os procedimentos clínicos para se interpretar os sonhos, devemos lembrar que cada paciente, cada situação, cada sonho é diferente de todo e qualquer outro.  Isto é realçado por Leon Altman, para quem a interpretação dos sonhos é preponderante ao tratamento, exigindo a maior dedicação por parte do analista.

            Como se interpreta um sonho?  Altman responde que o analista tem que, principalmente, aprender pela experiência como avaliar e selecionar o essencial na massa de informações e impressões que se lhe oferecem.  Ao expor a “arte” de interpretar os sonhos, este autor diferencia dois conceitos de “interpretar”, o que na verdade explica duas fases do mesmo trabalho.  Primeiro, interpretar é transcrever o conteúdo manifesto em pensamentos latentes, ou seja, a interpretação que o analista faz para si próprio.  Em segundo lugar há a interpretação que ele oferece ao paciente e que se constitui na atividade suprema da terapia analítica. Esta é chamada por Altman de “interpretação clínica” e visa apresentar estes pensamentos latentes ao paciente de uma forma que os possa digerir.

            Há um exemplo de como agir na interpretação dos sonhos na obra de Gastão Pereira da Silva, partindo do exemplo de uma mulher que sonha ter sido atropelada.  O autor propõe três possibilidades para esta paciente.  Na primeira, trata-se de uma mulher que no dia anterior, por um absoluto descuido, viu-se à mercê de ser apanhada por um automóvel, tendo então mantido no inconsciente a apreensão, que se retratou no sonho da noite seguinte.

            Na segunda possibilidade, a tal paciente é uma pessoa com “complexos de suicídio”, desastrada nas menores coisas, machucando-se com facilidade, acidentando-se freqüentemente.  Num caso destes, não haveria dúvida em pensar que há na alma desta paciente sentimentos hostis à personalidade e que é vítima de culpa inconsciente e que, portanto, precisa dessas auto-punições para desafogar os seus complexos.  Aqui o sonho satisfaz o desejo de acabar com a vida.

            Numa terceira possibilidade, a paciente é uma mulher que vive desejando ser possuída por alguém e, dada noite, sonha ter sido atropelada.  Há de se concluir, segundo o referido autor, que o atropelamento ocorrido no sonho não passa de uma agressão sexual, ardentemente desejada.  

   3.1 Simbologia dos Sonhos
   3.2 Pesadelos
   3.3 Princípios Para a Interpretação