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Bem
aventurados os que choram, porque eles serão consolados (Mt
5:4)
Esta bem-aventurança carece de ser muito bem examinada para não
dar margem à interpretações inverídicas.
Ela é aplicável a apenas um tipo de choro e não a qualquer
choro. É somente para este tipo de choro que o consolo de Deus é
certo.
Em Números 14:1 a 3 a Palavra relata que o povo de Israel se
levantou em amargo choro, ao qual denomino “choro da incredulidade”. Neste caso as lágrimas faziam par com a murmuração e
refletiam a dureza dos corações dos israelitas que se recusavam a
confiar na provisão e na fidelidade do Senhor em cumprir a promessa de
lhes dar a terra prometida. As lágrimas de incredulidade nunca
trouxeram bem aventurança.
Em Lucas 22:62 encontramos o relato de Simão Pedro “chorando
amargamente”. Eis aqui
outro tipo de choro: o do remorso. O apóstolo negara conhecer o Senhor
por três vezes, exatamente como anteriormente fora revelado pelo
próprio Jesus. Agora chorava o choro do desapontamento, da decepção,
da derrota. Este também não é o tipo de choro que garante a
bem-aventurança.
Há ainda dois outros tipos de choro, o da alegria e o da
saudade. O primeiro é retratado no emocionante encontro de José com
seu pai Jacó, depois de mais de 13 anos de separação, e que foi
regado em muitas lágrimas, conforme Gênesis 46:29 e 30.
O segundo, de Maria Madalena, quando esteve na madrugada do
domingo da ressurreição no local onde fora colocado o corpo do Senhor.
Na verdade, suas lágrimas mesclavam saudade e preocupação com o
paradeiro do corpo, conforme João 20:13 a 15. O choro da bem-aventurança é outro. É o choro que Jesus chorou. Há dois relatos do pranto de Jesus: o de João 11:35 em frente ao sepulcro onde jazia o corpo de Lázaro, a quem Ele ressuscitou, e o de Lucas 19:41, quando Ele entrava em Jerusalém. Em ambos o Senhor chorou ao ver a miséria, os efeitos do pecado, o sofrimento, a dor, a dureza dos corações, a incredulidade dos homens. Para quem comunga desta sensibilidade o próprio Espírito Santo oferece consolação.
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